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A Emissão de Dióxido de Carbono pelas Olarias em Campos dos Goytacazes: O Impacto do Uso de Turfa na Fabricação de Tijolos

Introdução

O setor de construção civil é um dos maiores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, com destaque para o dióxido de carbono (CO₂). Em Campos dos Goytacazes, a produção de tijolos é uma atividade essencial para a construção local, com 120 olarias fabricando uma quantidade significativa de tijolos mensalmente. Um aspecto pouco discutido, mas de grande importância ambiental, é o uso de turfa como liga na fabricação desses tijolos. Neste artigo, exploraremos como a utilização de turfa contribui para as emissões de CO₂ e compararemos esses impactos com outras fontes de emissão.

O Papel da Turfa na Fabricação de Tijolos

A turfa é um material orgânico formado em ambientes de turfeiras, e na fabricação de tijolos, é utilizada como um aglutinante. A composição química da turfa e seu comportamento durante a queima têm um impacto direto na quantidade de CO₂ emitida. A turfa contém aproximadamente 50% de carbono, e sua termodegradação durante a queima dos tijolos contribui significativamente para a emissão de CO₂.

Quantificando a Emissão de CO₂ das Olarias

Dados de Produção e Cálculo da Emissão de CO₂

Em Campos dos Goytacazes, as 120 olarias produzem juntas cerca de 3.600.000 tijolos por mês, assumindo uma produção média de 30.000 tijolos por olaria.

  1. Peso da Turfa na Fabricação de Tijolos:Cada tijolo pesa aproximadamente 2,5 kg e utiliza 30% de turfa argilosa. Então, o peso de turfa por tijolo é:

    2,5kg×0,30=0,75kg de turfa

  2. Quantidade Total de Turfa por Mês:Para 3.600.000 tijolos por mês:

    3.600.000tijolos×0,75kg de turfa/tijolo=2.700.000kg de turfa
    Convertendo para toneladas:

    2.700.000kg=2.700toneladas de turfa

  3. Conteúdo de Carbono na Turfa:Considerando que a turfa contém 50% de carbono:

    2.700toneladas de turfa×0,50=1.350toneladas de carbono

  4. Emissão de CO₂:Para converter carbono em CO₂, usamos a relação:

    Massa de CO₂=1244×1.350toneladas de carbono=4.950toneladas de CO₂

Comparação com Outras Fontes de Emissão de CO₂

Para entender a magnitude das emissões de CO₂ das olarias, comparamos com outras fontes comuns de emissão de CO₂.

  1. Emissões de Automóveis:

    Um carro típico emite cerca de 4,6 toneladas de CO₂ por ano. As emissões mensais de CO₂ das olarias equivalem às emissões anuais de aproximadamente:

    4,6toneladas/ano4.950toneladas1.076carros

  2. Queima de Carvão:

    A queima de uma tonelada de carvão produz cerca de 2,86 toneladas de CO₂. As emissões mensais das olarias equivalem à queima de aproximadamente:

    2,86toneladas/tonelada de carvão 4.950toneladas1.730toneladas de carv

  3. Consumo de Eletricidade Residencial:

    O consumo médio de eletricidade de uma casa nos EUA resulta em cerca de 6,57 toneladas de CO₂ por ano. As emissões mensais das olarias são equivalentes às emissões anuais de aproximadamente:

    6,57toneladas/ano4.950toneladas753casas

Termodegradação da Turfa e Seus Efeitos

A termodegradação da turfa durante o processo de fabricação dos tijolos é um fator crítico na emissão de CO₂. A temperatura e o tempo de permanência afetam diretamente o teor de carbono e voláteis na turfa:

  • DES et alii (1982) observaram que a temperatura final de degradação afeta o teor de carbono fixo e o poder calorífico do carvão produzido, com um aumento no teor de carbono fixo quando a temperatura final se aproxima de 500°C.
  • Fuchsman (1980) relatou que a turfa degrada em temperaturas de 450 a 550°C, com uma redução no teor de voláteis e um aumento no poder calorífico.
  • WENZL (1970) e outros autores confirmaram que o aumento da temperatura na termodegradação leva a um aumento do carbono fixo no produto final.

Essas observações confirmam que a termodegradação da turfa contribui significativamente para a liberação de CO₂, com a temperatura final e o tempo de permanência influenciando a quantidade de CO₂ emitida.

Conclusão

A análise detalhada das emissões de CO₂ associadas à fabricação de tijolos em Campos dos Goytacazes revela que a utilização de turfa argilosa tem um impacto ambiental significativo. Com uma emissão mensal de aproximadamente 4.950 toneladas de CO₂, as olarias contribuem de forma expressiva para as emissões de gases de efeito estufa.

Essas emissões são comparáveis às de um grande número de carros, à queima de grandes quantidades de carvão e ao consumo de eletricidade de várias residências. Compreender a termodegradação da turfa e sua influência nas emissões de CO₂ é essencial para buscar alternativas mais sustentáveis na fabricação de tijolos e reduzir o impacto ambiental do setor.

Referências

  • DES et alii (1982). Estudo do Poder Calorífico do Carvão em Função da Temperatura de Degradação.
  • COUTINHO (1984). Influência da Temperatura na Termodegradação da Madeira e Turfa.
  • KEPPLER & HOLFFMANN (1932). Rendimento e Composição Química da Turfa em Altas Temperaturas.
  • FUCHSMAN (1980). Termodegradação da Turfa e Poder Calorífico.
  • Puttock et al. (1989). Composição e Poder Calorífico da Turfa.
  • Lafferty et al. (2001). Teor de Carbono na Turfa.
  • WENZL (1970), EARL (1975), FARIA (1984), JUVILLAR (1980), MENDES et alii (1982), OLIVEIRA et alii (1982b), OLIVEIRA et alii (1982d). Termodegradação de Madeiras e Efeitos sobre o Teor de Carbono e Cinzas.
  • CHUKANOV et alii (1962). Efeito da Temperatura na Expansão dos Gases durante a Termodegradação.

 


 

AboutReynaldo R.
Graduado em Sistemas para Internet pela Universidade Cruzeiro do Sul, com ênfase em preservação ambiental. Durante minha formação, desenvolvi uma paixão por encontrar soluções inovadoras para os desafios ambientais que enfrentamos. Atualmente, atuo como desenvolvedor de sensores de baixo custo especializado em medir os níveis de Gases de Efeito Estufa (GEE) tanto no solo quanto na água. Através de uma variedade de cursos, aprimorei meu conhecimento em emissões de gases e desenvolvi uma expertise em utilizar sensores MQ-35, comumente empregados em câmaras de gases móveis. Meu trabalho consiste em obter com precisão em tempo real a quantidade de emissões de GEE, levando em consideração variações de temperatura, umidade e clima. Este trabalho é parte integrante do projeto "Turfeiras Vivas" em Campos dos Goytacazes, que lidero com dedicação. Nosso foco é a conservação e revitalização dos ecossistemas de turfeiras, uma missão que considero essencial para o equilíbrio ambiental.

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